Tecnologia, salsichas e abobrinhas – II

By iacominvs

Grande A. Volpi!

Nos conhecemos no âmbito de debates tecnológicos. Discutíamos em 1997 segurança de dados, certificação e criptografia. Lembra-se do encontro em Sampa?

É com muita alegria que recebo suas ponderações.

Em relação ao seu item 1, subscrevo-0 em gênero, número e grau.

Quando falo em “centralização de dados” levo em consideração o conceito que lhe empresta os nossos opositores. Nos impingem a responsabilidade de criar bancos de dados centralizados, vulnerando os registradores e notários, o que não é, absolutamente, verdade. É lógico que a estruturação de dados deve ser pensada levando-se em consideração dois aspectos: 1) não comprometimento da funcionalidade e operacionalidade do sistema e 2) ao mesmo tempo resguardando os dados sensíveis dos registradores. (Sem falar na tutela da privacidade, coisa que discutimos profundadamente nos eventos internacionais – um deles no mês passado, em São Paulo).

No item 3 v. toca no calcanhar de Aquiles do sistema integrabrasil.

De fato, não se pode “buscar no servidor de cada cartório uma informação”. Note que a interpolação de uma instância controladora do tráfego informático entre cartórios é sempre um risco para a categoria. Aqui reside, perfeitamente, o dedo do Diabo. O projeto
integrabrasil fala em “stakeholders” e não está claro o jogo que esses players vão tocar.

Em suma, sua avaliação, nesse aspecto, é correta e coincide com o relatório da Universidade Federal de Santa Catarina.

Por fim, usei a referência do Google fazendo a ressalva da inadequabilidade do exemplo.

Busquei apenas um argumento analógico num debate que está assoalhado. O nosso sistema (Arisp) em nada se parece com o Google, até porque funciona com acesso por certificação digital e a base de dados não está indexada externamente porque não
representa um dado “classificável”. Não é possível formular um padrão de taxonomia para a sucessão de códigos que só fazem sentido quando combinados com dados que permanecem seguros nos cartórios, indevassados.

É uma grande burrice fazer uma centralização plenária de dados, a isso me referia. O mesmo dislate ouvia no Incra – “vamos criar um cadastro multifinalitário com todos os dados de todos os cartórios do Brasil…”.

O debate está muito mal colocado nessa disputa. É preciso confiar nos interlocutores da categoria que, como você, digno exemplo, tem dedicado parte de seu precioso tempo para decifrar as charadas tecnológicas que se nos apresentam nos dias que correm.

Saúdo seu comentário como alguém que sabe do que está falando!

Abraços

SJ

Prezado Jacomino e demais.

O debate é sempre bom, e sobre este tema não consigo me calar.

1) Todos somos reféns da tecnologia, isso significa uso de softwares desenvolvidos por empresas privadas. Raros são os casos de sistemas proprietários em cartórios, portanto, via de regra todas as empresas fornecedoras de softwares administrativos tem acesso aos bancos de dados. Conclusão disto é que o contrato com estas empresas deve ser bem detalhado com relação a privacidade e propriedade destes dados e obviamente deve haver uma relação de confiança com estas empresas.

2) Para se oferecer uma informação estruturada em “tempo real”   sobre a existência de um dado em vários cartório estas informações devem estar centralizadas num mesmo servidor.  E na Era da Informação é grande a demanda por resultados imediatos.  Em alguns casos talvez isto não seja possível devido a minúcias legais.

Portanto, acho que não se deve afirmar genericamente que centralização de dados é “burrice tecnológica”, depende do que se deseja é a única solução. E se o que se deseja é informação em tempo real, não se pode conceber um sistema que vá buscar no servidor de cada cartório uma informação. Isso não funciona em tempo real porque,muito provavelmente haverá um problema de banda ( comunicação) com um ou mais cartórios. Muito provavelmente, haverá naquele momento um ou mais cartórios com problemas em seu servidor, ou qualquer periférico. E nossas informações não podem ser parciais, não adianta fornecer negativa em 99% dos cartórios, faltando um não vale nada, portanto os indicadores (índices) devem ser centralizados.

3) Discordo que o Google não guarde os dados. Li o livro deles. O grande segredo do Google é exatamente guardar os dados básicos em memória “cash” , isto é aqueles dados preliminares que encontramos na página inicial, que por sua vez, em cada busca atualiza os dados pelo link arquivado em seu banco de dados. Ou alguém pode imaginar que quando eu digito a palavra NOTARIO o software deles sai procurando esta informação em tempo real em todos os locais onde se hospedam os web sites que tem a palavra notário em seu conteúdo?

No mais concordo em número e grau com Sergio, o sistema da Arisp é muito bom. Segurança de bancos de dados é um problema muito sério, sua preservação depende de: inteligência de software, segurança física ( predial) e humana. Das três o software é o mais difícil, porque uma linha de programação pode abrir uma porta para cópia dos dados, portanto deve ser auditado por empresa independente.

Viva o debate, grande abraço Jacomino e demais.

A.volpi,

Notário

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